Os alunos do Bloco I do curso de Pedagogia da Faculdade Piauiense (FAP) realizaram, no período de 23 de maio a 04 de junho, as apresentações dos seminários da disciplina Metodologia do Trabalho Científico e da Pesquisa Educacional, sob orientação da professora Renata Cristina da Cunha. Essa atividade tinha como objetivo a exposição e discussão de questões relacionadas à Identidade Profissional, Docência e História de Vida, que constituem o eixo temático desse bloco. A turma foi dividida em sete grupos que analisaram e expuseram o conteúdo de quatro livros que tratam dessa temática.
No dia 23 de maio, o primeiro grupo – composto por Cleber, Danilo, Helane, Isabela, Jair, Joyce, Lucélia e Nuala – apresentou a primeira parte do livro Profissão Professor: Identidade e Profissionalização Docente, de Iria Brzezinski. O livro enfatiza as especificidades da identidade e do processo de formação do educador. O grupo analisou o contexto político e social no qual esse profissional atua, abordando as contribuições dos movimentos sociais e a importância de seu papel educativo para a sociedade; além da questão da identidade do curso de Pedagogia que, como aponta o livro, não gozava de identidade própria, o que gerava um pessimismo e desconfiança em relação ao curso. O grupo abordou ainda as Diretrizes Curriculares que regem os cursos de Pedagogia, suas mudanças ao longo da história no Brasil e como a identidade do curso foi sendo construída em meio às relações sociais.
O segundo grupo – formado por Daiane, Eliete, Isabel, Patrícia, Silvia e Verônica – apresentou-se no dia 28 de maio e deu continuidade ao conteúdo do mesmo livro. Enfatizaram que não basta o professor ter conhecimento do assunto que irá ensinar, pois é preciso também que ele saiba como transmitir esse conhecimento para seus alunos, e isso ele aprende também na sua formação. Destacaram o fato de a atividade docente ser desvalorizada pela sociedade, mesmo sendo uma profissão de fundamental importância para o surgimento das demais. O grupo tratou também das transformações causadas pelos avanços tecnológicos na comunicação e na informática e da conseqüente reavaliação do papel da escola.
No dia 30 de maio, o grupo constituído por Abel, Ana Cristina, Andréia, Carlos Eduardo, Claudiana, Josefina e Tiago, apresentou o livro Aprendendo a Ensinar: O Caminho Nada Suave da Docência, de Maria Regina Guarnieri. Levantaram questões sobre o que pensam, sentem, percebem e fazem as professoras ao ingressar na profissão e se aprofundaram nas maneiras como se dá o processo de aprender a ensinar. Citaram estudos que analisam aspectos da vida do professor enquanto indivíduo, da escola, do trabalho e da formação acadêmica visando compreender no que o professor se baseia para pensar, como pensa e como faz para construir sua prática. Trataram ainda do modo como os professores vão elaborando seus saberes e suas crenças sobre a própria profissão. Apontaram a indagação e reflexão como estratégias e conteúdos básicos para o processo de aprendizagem da profissão pelos professores. Enfim, as dificuldades e incertezas dos professores no seu desenvolvimento profissional.
O grupo composto por Alexandra, Antônio de Pádua, Assislene, Diana, Ilza, Joana D’Arc e Raimundo, apresentou-se no dia 31 de maio e expôs a primeira parte do livro Histórias de Professores: Leitura, Escrita e Pesquisa em Educação, de Sônia Kramer e Solange Souza. O livro retrata a narrativa e o retorno da experiência uma vez que o leitor penetra na experiência do outro fazendo dela sua própria experiência. O grupo tocou na questão da divisão que era feita entre a vida e a profissão do docente, pois eram consideradas duas realidades distintas, mas o que ocorre na verdade é uma constituição recíproca entre o pessoal e o profissional. Deram destaque à diversidade e importância da linguagem na análise do que narram, lêem e escrevem os professores, fazendo referência aos estudiosos Bakhtin, Vygotsky, Benjamin e Paulo Freire, além de ressaltar o fato de que a escola deve seduzir a criança fazendo com que ela goste de estar lá e de aprender.
Em seguida, o grupo formado por Alzenira, Anaclícia, Ingrid, Lucas, Luiz Fernando, Paulo Júnior e Vanessa, apresentou a segunda parte do mesmo livro. Deram maior destaque à linguagem como forma de interação e os desafios de aprender a ler e escrever, principalmente escrever, pois não se escreve para si, mas para os outros lerem. Ainda abordaram a desvalorização e reclamações feitas pelos professores de suas condições de trabalho. Relataram o modo como cinco professoras, citadas no livro, iniciaram seu processo de aprendizagem da leitura de modos totalmente distintos, e os tipos de relações que podem ser estabelecidas entre as crianças e a cultura em diferentes aspectos e realidade, como a da criança indígena e dos meninos e meninas de rua.
No último dia das apresentações, 04 de maio, o grupo constituído por Akássia, Francilurdes, Francisca Aldenice, Jaynara, Laura, Samile e Savina, apresentou a primeira parte do livro Como se Ensina e Como se Aprende a Ser Professor: A Vivência do Habitus Professoral e da Natureza Prática da Didática, de Marilda da Silva. O grupo tratou dos modos pelos quais se desenvolve o habitus professoral, como sendo o modo de ser e agir do professor na prática docente, mostrando que se aprende a ensinar na sala de aula, ou seja, na prática propriamente dita, mas que a didática é o suporte para isso durante a formação acadêmica. Discutiu também a identidade que a didática assumiu e assume ao longo do tempo, sendo dividida em prática crítica e tecnicista. Sendo um relato de pesquisas, o livro mostra que o docente também adquire conhecimento através das experiências do outro.
Logo em seguida, finalizando as apresentações, o último grupo – constituído por Ana Paula, Antônia, Francisca, Luana, Maria do Carmo, Mônica e Reginaldo – expôs a segunda parte do livro anterior abordando a arte de ensinar e aprender baseada nas relações que se estabelecem entre os alunos e o professor. Relações que podem ser de interação ou de cumplicidade no momento do professor, que é a aula. Também o uso da criatividade como forma de facilitar o tornar prazeroso o processo de aprendizagem na sala de aula, que sem ela pode se tornar cansativa e não trazer muitos frutos. Além disso, deram destaque às lembranças e influências que os pedagogos têm de seus primeiros professores e como essas lembranças influenciam na prática pedagógica de cada um.
As apresentações dos seminários atingiram os objetivos estabelecidos pela disciplina Metodologia do Trabalho Científico e da Pesquisa Educacional, além de se constituírem um momento ímpar tanto na vida dos alunos do bloco 1, quanto da professora da disciplina.
Texto escrito pela acadêmica Lucélia Araújo do bloco 1 do curso de Pedagogia da Fap.